Sonhos de abóbora fritos com açúcar e canela num prato de barro, um aberto a mostrar o miolo

Sonhos de Abóbora de Quintos: Receita Alentejana

Há doces que começam com o que a horta deu em abundância. Estes sonhos de abóbora de Quintos fazem-se com uma massa cozida no tacho, enriquecida com abóbora e ovos, depois frita em pequenas colheradas e envolvida em açúcar e canela. Sirva-os ainda mornos, quando a crosta está mais delicada.

Da horta para a mesa, em Quintos

Na recolha publicada na Carta Gastronómica do Alentejo, Maria Encarnação conta que semeavam abóboras para a sopa e, quando a colheita era grande, aproveitava-as para fazer sonhos de que os filhos gostavam. A receita foi registada em Quintos, concelho de Beja, em 2012. É um testemunho concreto de cozinha de aproveitamento, sem precisar de atribuir ao prato uma origem exclusiva da região.

Rendimento: cerca de 35 a 45 sonhos pequenos
Tempo total: cerca de 1 hora e 15 minutos

Ingredientes para 35 a 45 sonhos pequenos

  • 150 g de abóbora fresca, descascada e sem sementes, em cubos pequenos
  • 500 ml de água
  • 1 tira de casca de limão, sem a parte branca
  • 150 g de manteiga
  • 1 cálice de aguardente (cerca de 30 ml)
  • 350 g de farinha de trigo sem fermento
  • 10 ovos
  • 150 g de açúcar para envolver
  • Canela em pó a gosto, para envolver
  • Óleo vegetal para fritar, em quantidade suficiente para os sonhos flutuarem

Preparação

  1. Coza a abóbora. Ponha a abóbora, a água, a casca de limão e a manteiga num tacho largo. Deixe ferver em lume médio cerca de 12 a 15 minutos, até a abóbora ficar muito macia. Retire a casca de limão e esmague a abóbora no próprio líquido.
  2. Faça a massa no tacho. Retire o tacho do lume para juntar a aguardente com segurança e mexa. Volte a aquecer até levantar fervura. Junte a farinha de uma só vez e mexa vigorosamente com colher de pau, em lume brando, durante cerca de 3 a 5 minutos, até a massa ficar homogénea e descolar do fundo. Passe para uma tigela e deixe arrefecer até ficar morna ao toque, cerca de 15 a 20 minutos.
  3. Incorpore os ovos. Junte os ovos um a um, mexendo bem entre cada adição. A massa deve ficar espessa, brilhante e suficientemente macia para cair lentamente da colher. Se tiver ovos de tamanho grande, observe a textura antes de acrescentar o último.
  4. Frite em pequenas porções. Aqueça o óleo numa frigideira funda ou tacho a cerca de 170 °C. Sem termómetro, uma pequena porção de massa deve borbulhar logo à superfície, sem escurecer imediatamente. Deite colheradas pequenas de massa no óleo, sem encher demasiado o tacho. Frite por levas cerca de 5 a 7 minutos, virando os sonhos para alourarem por igual e ficarem cozidos no centro. Abra o primeiro para confirmar que não há massa crua e ajuste o tamanho e o tempo das levas seguintes.
  5. Escorra e envolva. Retire os sonhos com escumadeira e escorra em papel absorvente. Misture o açúcar com canela a gosto e passe os sonhos ainda mornos pela mistura.

Dicas para sonhos leves

Não junte os ovos à massa a ferver: deixe-a amornar primeiro. Frite poucos sonhos de cada vez para o óleo não arrefecer e use colheradas pequenas, que cozinham por dentro antes de escurecerem. A abóbora da massa é fresca e cozida; doce de abóbora em frasco não a substitui.

Harmonização à mesa

Para contrastar com a fritura e o açúcar, experimente o Espumante Cartuxa Bruto Branco 2019 – DOC Alentejo–Évora, da Fundação Eugénio de Almeida, servido fresco. Feito de Arinto pelo método clássico, traz frescura e bolha à mesa sem acrescentar mais doçura aos sonhos.

Uma sugestão extra com abóbora

Se quiser apresentar uma travessa de doces de abóbora, sirva à parte uma pequena taça de Doce Extra de Abóbora da loja, para quem gostar de barrar um pedaço. É um acompanhamento opcional e não entra na receita tradicional dos sonhos.

Conservação

São melhores no dia da fritura. Depois de frios, guarde-os tapados no frigorífico e consuma em até 2 dias; a crosta perde parte da textura. Para servir, aqueça brevemente no forno e envolva novamente em açúcar e canela, se necessário.

Perguntas frequentes

Porque é que a massa leva tantos ovos?

São os dez ovos da receita recolhida. Entram depois de a massa cozida amornar, um de cada vez, para formar uma massa maleável que cresce na fritura.

Posso usar compota no lugar da abóbora?

Não. A abóbora fresca é cozida na água da massa; a compota já tem açúcar e outra consistência. Se a usar, sirva-a apenas à parte.

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Fonte

Carta Gastronómica do Alentejo (2013), p. 737. Receita de sonhos de abóbora recolhida em Quintos, Beja, em entrevista a Maria Encarnação, por Ana Rita (ADPM), em 2012.

Receita recolhida no Baixo Alentejo, adaptada pela Herdade do Estacal para o blog “À Mesa com o Alentejo”. Mantivemos os ingredientes da fonte; aproximámos a medida do cálice, os tempos, a temperatura e os sinais práticos de cozedura para tornar os passos executáveis. O doce em frasco e o espumante são sugestões de serviço, não ingredientes da recolha.

Imagem ilustrativa gerada para este artigo.

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